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TEATRO: UM DEZ CEM MIL INIMIGOS DO POVO

Revista circense dramática, livremente inspirada no texto Um Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen.

Foto: Victor Iemini

A pesquisa estética da Cia da Revista tem como coluna vertebral a estrutura e as convenções do Teatro de Revista. Para além da linguagem cênica, a Revista propõe certo olhar para o mundo: aponta para uma análise cuidadosa dos acontecimentos do seu tempo para depois colocá-los em cena. Assim, o formato próprio deste gênero acaba por afastá-lo do anacronismo.

O processo de montagem de Um Dez Cem Mil Inimigos do Povo, surgiu a partir de uma longa trajetória de pesquisa que culminou em um tema fascinante: a lógica da cordialidade (seguindo as teorias de Sérgio Buarque de Hollanda), que mostra a face que é a matriz do que se pode chamar de fascismo peculiar do brasileiro - a incapacidade de sustentar a diferença e a liberdade do outro.

Nesta pesquisa, a ingenuidade de que o cordialismo pudesse ser sinônimo da expressão jeitinho brasileiro se extinguiu e a manifestação desse caráter tão brasileiro se revelou fascista e assassino. Essa mudança de paradigma nos foi relevada pela frase de Paulo Emílio Salles Gomes (citada pelo Professor Pasta Junior durante um debate proposto pela companhia): “O Brasil oscila entre a procura pelo bode expiatório e pelo bode exultório”.

Um Dez Cem Mil Inimigos do Povo é uma recriação dramatúrgica em processo colaborativo assinada por Cássio Pires da peça Um Inimigo do Povo (1882), texto do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, considerado um dos principais autores do chamado drama realista moderno. A Cia. da Revista pretende, com essa montagem, passar em revista a nossa sociedade traduzida em redes sociais que oscilam entre ataques ferozes ou exclusão daquele que não compactua com nosso pensamento à exaltação sem reservas daqueles que compactuam; em mídias hegemônicas que manipulam a informação com intuito de manter o status quo; em conversas de botequins que dividem a sociedade em PTralhas e Coxinhas.

Em Um Inimigo do Povo, Dr. Stockmann, médico de uma estância balneária, descobre que os banhos da cidade estão contaminados. Ao invés do apoio, respeito e admiração da população, Stockmann é transformado em inimigo do povo pois sua descoberta entra em choque com os interesses econômicos imediatos da cidade.  A obra, mesmo situada em época e cultura distantes, apresenta uma sociedade na qual os interesses individuais se colocam acima dos interesses coletivos e qualquer um que se oponha a isso é visto como um empecilho e deve ser, portanto, eliminado.



PROPOSTA ESTÉTICA E DE ENCENAÇÃO

Para este espetáculo, a direção de Kleber Montanheiro pretende explorar a quebra do drama realista de Ibsen colocando-o em fricção com os gêneros Teatro de Revista, Circo Teatro e Cabaré Épico, que fazem parte da pesquisa estética da companhia. Como em seus espetáculos anteriores, a Cia. da Revista usará a música (especialmente composta para o espetáculo por Ricardo Severo) como elemento narrativo.  A cenografia sugere uma grande cidade vertical, de forma a traduzir a sobreposição de indivíduos dentro de uma realidade das superpopulações, onde o espaço privado é cada vez menor. No centro do palco formatado como arena 360 graus, um espelho d'água fará a alusão à cidade balneário sugerida por Ibsen. Na cenografia o público poderá também ver  elementos cenográficos e adereços que pertenceram a montagens históricas do Teatro do Ornitorrinco (Teledeum, O Doente Imaginário, Sonho de Uma Noite de Verão, a Magera Domada), doados por Cacá Rosset e Christiane Tricerri para a Cia. da Revista. A proposta da utilização de aproximadamente 50 figurinos em trocas rápidas durante o espetáculo explora os gêneros a serem introduzidos na montagem, viajando no tempo e revelando a atemporalidade do conflito.

SINOPSE: Ao expor à sociedade sua descoberta sobre a contaminação nas águas do Balneário que sustenta a pequena cidade onde vive, Dr. Stockmann desafia políticos e donos de terra, entrando em choque com seus interesses mesquinhos. As relações cordiais se intensificam, as opiniões pessoais se tornam verdades absolutas, crenças obstinadas, ódio generalizado.  

FICHA TÉCNICA:

Direção, cenário, figurinos e coreografia: Kleber Montanheiro

Direção Musical, Composição e Arranjos: Ricardo Severo

Dramaturgia em Processo Colaborativo: Cássio Pires

Iluminação: Rodrigo Oliveira

Desenho de som: André Omote

Atores-Criadores: Adriano Merlini, Bruna Longo, Daniela Flor, Gabriel Hernandes, Gabriela Segato, Heloísa Maria, Luiza Torres, Natália Quadros, Nina Hotimsky, Paulo Vasconcellos, Pedro Bacellar, Pedro Henrique Carneiro e Rodrigo Oliveira.

Músicos: Gabriel Hernandes e Nina Hotimsky

Assistentes de Direção: Larissa Matheus, Victor Lopes Almeida e Nicolas Caratori

Assistente de Cenário e Figurinos: Victória Moliterno

Estagiárias de cenário e figurino: Daniele Desierrê e Luma Yoshioka

Projeto Gráfico e fotos: Victor Iemini

Assistente de produção: Marieli Goergen

Assessoria Teórica: Alexandre Mate

Preparação para Trapézio: Érica Rodrigues

Ensaiadora de coreografias: Alexandra Lot

Assessoria e preparação em técnicas de alpinismo e equipamentos circenses: Álvaro Barcellos

Costureira: Euda Alves de Souza

Cenotécnico: Evandro Carretero

Assessoria de Imprensa: Fábio Câmara

Realização: Cia. da Revista da Cooperativa Paulista de Teatro

SERVIÇO:

LOCAL: Espaço Cia. da Revista – Al. Nothmann, 1.135 – Santa Cecília. 99 lugares.

DATA: 06/05 até 28/08 (Quinta, Sexta e Sábado 21h e domingo 19h). Não terá apresentação nos dias 14 e 28/05.

INGRESSOS: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia-entrada)

INFORMAÇÕES: (11) 3791-5200

VENDAS PELA INTERNET: www.ingressorapido.com.br ou telefone: 4003-1212. Aceita todos os cartões de débito, crédito ou dinheiro.

DURAÇÃO: 110 min

CLASSIFICAÇÃO: 14 anos

EQUIPE:

Kleber Montanheiro

Ator, diretor, cenógrafo, figurinista e iluminador. Destaca-se na criação de cenário, figurino e luz do espetáculo Misery, com Marisa Orth e Luis Gustavo; Cada um com seus ‘pobrema’, de Marcelo Médici; cenário e iluminação de Madame de Sade, direção de Roberto Lage, Macbeth, dir. de Regina Galdino, entre muitos outros. Foi integrante do projeto de humanização hospitalar Doutores da Alegria, de 1993 a 2003. Recebeu indicações ao prêmio FEMSA por Chapeuzinho Vermelho (figurinos-2001); O Rouxinol (iluminação e figurinos-2002); Marias do Brasil (figurinos-2003); Amazônica (cenário e iluminação-2005); O Doente Imaginário (cenário-2007) e Sonho de uma Noite de Verão (figurinos e direção-2008). Ganhou o prêmio APCA 2008 por Sonho de Uma Noite de Verão e o prêmio FEMSA 2009 por A Odisséia de Arlequino, ambos de melhor diretor. Foi indicado ao prêmio CPT 2012 pela direção de Cabeça de Papelão e vencedor dos prêmios APCA e FEMSA 2012 pelos cenários e figurinos de A História do Incrível Peixe Orelha. Dirigiu em 2013 no Teatro Popular do SESI: Crônicas de Cavaleiros e Dragões, de Paulo Rogério Lopes, recebendo o prêmio FEMSA 2013 de melhor iluminação. Suas últimas direções no teatro em 2014/2015/2016 foram: Blink, de Phil Porter; Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Hollanda; Navio Fantasma – O Holandês Voador e O Cigano e o Gigante, ambos de Paulo Rogério Lopes; Sobre Cartas & Desejos Infinitos, de Ana Luiza Garcia e Os Dois Cavalheiros de Verona, de William Shakespeare, para a Cia. da Matilde. Dirige artisticamente a Cia da Revista desde 1997.

Cia da Revista

A Cia. da Revista nasceu em 1997 com a proposta de investigar o Teatro de Revista, gênero que chegou ao Brasil no século XIX e que, a partir da década de 1920, ganhou as características que inspiram o trabalho de pesquisa da Companhia: estrutura fragmentada que engloba diversos gêneros em um único espetáculo, olhar crítico e irreverente sobre seu tempo e a presença da música como importante elemento narrativo. A companhia ocupa desde 2014 o Espaço Cia da Revista, no bairro da Santa Cecília em São Paulo, onde realiza intensa programação aberta ao público e leva seus projetos de pesquisa, ensaios e espetáculos.

O Espaço Cia. da Revista é um espaço múltiplo, possuindo sala de espetáculo com capacidade para 99 pessoas e ampla acessibilidade para pessoas com necessidades especiais, ateliê / acervo de figurinos e adereços, bistrô com possibilidade para eventos musicais e escritório. O Espaço Cia. da Revista acaba de perder o patrocínio que possuía para sua manutenção.

A Cia. da Revista conta com doze espetáculos em seu currículo, sendo quarto deles ainda presentes em seu repertório ativo: Kabarett (1999, remontado em 2010), Cada qual no seu barril (2011, indicado a seis prêmios FEMSA), Carnavalha (2011) e Cabeça de papelão (2012, indicado a dois prêmios Shell e dois prêmios CPT, além de seis prêmios no Festival de Taubaté 2013). A montagem de Um Dez Cem Mil Inimigos do Povo foi realizada através do edital PROAC para Produção de Espetáculo Inédito da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo.
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