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Confira tudo o que rolou no MAXIMUS FESTIVAL

Por Fernando Bernardo Cardoso de Oliveira 

Nasce um grande Festival!

No último dia 07 de Setembro (feriado nacional) São Paulo recebeu a primeira edição do Maximus Festival, voltado para o público metaleiro ou que curte um rock mais pesado e que teve como atrações principais as bandas Rammstein, da Alemanha e os norte americanos do Marilyn Manson. O local escolhido para sediar o evento foi o Autódromo de Interlagos – mesmo local onde se realiza o Lollapalooza desde 2014. Foram três palcos: um deles – o menor, dedicado a apresentação de bandas nacionais ou ainda pouco conhecidas do grande público. Já os palcos principais: Palco Maximus e Palco Rockatansky foram posicionados lado a lado, ótimo para quem se interessou em acompanhar as apresentações sequenciais sem praticamente necessidade de nenhum tipo de deslocamento. Em tempo: antes mesmo da apresentação das principais bandas, os telões já anunciavam a segunda edição – agendada para o dia 20 de Maio de 2017.


O festival apresentou formato inovador no Brasil, à começar pelas pulseiras cahsless que, além servirem como forma de ingresso ao evento, serviam como fonte de pagamento para os produtos comercializados em seu interior – seu funcionamento era similar a um cartão pré pago: o expectador inseria créditos a partir de 30 reais para consumo de lanches, bebidas e souvenirs do festival. Também era possível carregar as pulseiras com outros valores nos terminais e guichês espalhados pela organização dentro da arena.

Visualmente a decoração do autódromo remetia produções como a franquia de filmes Mad Max e festivais no exterior, como o Hellfest (França) e Wacken (Alemanha) – nada mais apropriado para as atrações e seu público. Latões, sucata e muitas chamas serviam para fazer a galera entrar no clima do evento.

As bandas que se apresentaram durante a fria tarde em São Paulo não receberam a devida atenção do público e tocaram para uma fração dos milhares de pagantes do evento. Algumas ainda tiveram problemas técnicos no som, caso da banda Shinedown - desde o atraso de 18 minutos para que se corrigisse a falha no som, como as constantes falhas no microfone do vocalista Brent Smith, que mesmo assim, trouxeram todo o seu peso nas (poucas) músicas que conseguiram executar em sua primeira – e frustante, passagem pelo Brasil.

Eram quase 16:00 horas quando o grande público começou a dar as caras no festival. Junto com o número crescente de pessoas, Halestorm liderado pela vocalista Lzzy Hale se apresentou no palco Maximus e esbanjando muito carisma. Em seguida foi a vez da banda Bullet For My Valentine que, assim como a banda anterior já estiveram no Brasil (foram atrações do Rock In Rio), trazer seu metal melódico para delírio de muitos fãs que aguardavam ansiosamente pelo grupo.

O tímido Sol nesse feriado já havia se despedido quando os norte americanos do Disturbed entraram no palco. Com setlist de 17 músicas, dentre elas 04 covers, a banda levantou o público com uma apresentação tecnicamente irrepreensível. O vocalista David Draiman parecia muito à vontade durante a apresentação de pouco mais de uma hora de duração. Os destaques ficaram para as faixas do álbum The Sickness (de 2000) e com as covers de “The Sound Of Silence” da dupla Simon e Garfunkel e “Killing in the Name” do Rage Agains the Machine.

Encerrando as apresentações do Palco Rockatansky, Marilyn Manson voltou ao país depois de quase uma década e fez uma apresentação que dividiu opiniões. Vocalmente, Marilyn Manson aka Brian Warner ainda tem muita lenha para queimar e conseguia registrar seus gritos guturais com certa naturalidade. O setlist também foi um acerto, trazendo músicas conhecidas pelo público em geral (“The Beautiful People”, “The Dope Show” e a repaginada “Sweet Dreams (are made of this)” do Eurithmics), músicas do álbum mais recente, The Pale Emperor (“Deep Six” e “Cupid Carries a Gun”) e passando por praticamente todos os álbuns da discografia do reverendo. O porém fica por conta das intermináveis pausas entre as músicas que, contabilizadas, consumiram quase 15 minutos do espetáculo e em muitos momentos quebrava o clima do show. Quem conhece os shows da banda sabe que se trata de algo recorrente. Mas, se tratando de um festival onde muitos não foram especificamente para ver a banda, as pausas soaram ainda mais incômodas. De qualquer forma, ainda que não seja mais o Antichrist Superstar, Marilyn Manson fez um show à altura daquilo que seus fãs, muitos vestidos a caráter, esperavam.

Encerrando o dia no Palco Maximus pontualmente às 21:00 horas, os alemães do Rammstein fizeram um show a altura do principal headliner do festival. Abrindo com “Ramm 4”, curiosa música cuja letra nada mais é que o nome de várias outras músicas da banda, o que vimos à seguir foram incontáveis números de pirotecnia, luzes e som. Ainda que alguns “truques” sejam utilizados por mais de uma década, como os lança chamas acoplados nas cabeças do trio Till Lindermann e os guitarristas Richard Kruspe e Paul Landers durante a música “Feuer Frei!”, ver toda a produção ao vivo sempre mexe com os sentidos da platéia. Com performance quase teatral, Lindermann domina o palco como poucos, provoca a platéia e parece ter cada movimento seu exaustivamente coreografado. Apoiado por uma banda extremamente competente, clássicos como “Sonne”, “Links 2-3-4”, “Amerika”, “Ich Will” foram entoados por um público hipnotizado com a apresentação – a terceira no Brasil; antes a banda abriu para o Kiss em 1999 e retornou em 2010. Nem mesmo as letras em alemão foram impecilho. Em “Du Hast” um rastro de fogo se direcionou às torres de som no meio da platéia e voltou, causando uma espécie de explosão que levou o público ao delírio. Em “Engel”, Linderman foi içado do palco com asas metálicas que igualmente lançavam fogo e encerrando a apresentação da noite. Digo, quase encerrando. Isso porque a América Latina foi agraciada com um segundo bis incluindo “Te Quiero Puta!”, música em espanhol e que não era tocada ao vivo desde 2011. Bom para o público do México, Chile, Argentina e Brasil que pode ter a oportunidade de ver (e cantar!) ao vivo essa icônica faixa do álbum Rosenrot.

Com isso, parece que o Maximus Festival veio para ficar. Reféns de poucos festivais – o Rock In Rio e o Lollapalooza são os únicos que conseguem sobreviver e hoje se tornaram marcas poderosas, com grande volume de venda antes mesmo do anúncio oficial do lineup, o Brasil precisava de uma repaginada e de um frescor no que se refere a apresentações ao vivo. Já tivemos festivais bacanas como o Hollywood Rock, SWU, TIM Fertival, Claro que é Rock e temos um irregular (no sentido de periodicidade) Monsters of Rock. O Maximus preenche uma lacuna de festival dedicado ao rock mais pesado (já que o Rock In Rio tem apelo mais popular e o Lollapalooza mais alternativo) e inovou em muitos sentidos. Os horários foram religiosamente cumpridos. Os intervalos entre as apresentações não duravam mais que cinco minutos e o palco lado a lado facilitou muito por não termos a necessidade de deslocamentos para acompanharmos os shows. Alguns ajustes se fazem necessários para a próxima edição – de acordo com alguns funcionários das barracas e food trucks de alimentação, as vendas foram abaixo do esperado (talvez pela falta de costume com o sistema cashless ou devido o preço exorbitante dos produtos), não tinham banheiros químicos suficientes para a demanda, o Lounge - área VIP destinada ao custo de R$ 800,00 por pessoa era muito (realmente muito) longe dos palcos, por mais que oferecesse experiências bem legais aos que tiveram coragem de desembolsar esse valor.

De qualquer forma, que venha 2017 e com ele outra edição matadora do Maximus Festival, que aparentemente veio para ficar!
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