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CRÍTICA: Festa da Salsicha

Por Renato Caliman

Direção de Greg Tiernan e Conrad Vernon. Com Seth Rogen, Kristen Wiig, Jonah Hill, James Franco, Danny McBride, Bill Hader, Salma Hayek, Craig Robinson, Edward Norton e Paul Rudd

Foto: Divulgação

Graças ao cinema e de várias mentes bem criativas você já viu bonecos, dinossauros, animais selvagens/domésticos, insetos e uma penca de outros seres vivos falando e expressando suas opiniões. Pode até ser que tenha visto comida falante, mas posso garantir que nada chega a ser parecido com a experiência de assistir Festa da Salsicha. Ofensivo, porém fofo em alguns momentos, o longa confundiu muita gente, fazendo pensar que se tratava de um filme para crianças. Só que a tal ‘festa’ é feita para adultos e de tão pesada pode chocar até o mais babaca deles. São inúmeros palavrões, frases politicamente incorretas e críticas feitas na base do bom e velho humor negro que nos fazem até voltar à discussão sobre ‘qual o limite do humor?’. O conteúdo exibe uma originalidade ímpar, no entanto o roteiro pesa a mão nos diálogos, e a execução não faz jus a ideia genial dos criadores, resultando numa narrativa que se preocupa mais em arrancar risadas por meio de referências sexuais do que entreter com uma boa história.

Véspera de 4 de julho. O mercado aguarda as pessoas para uma das melhores épocas pra lucrar, mas quem esta realmente ansioso são os alimentos. Laticínios, frutas, bebidas, entre outros, esperam pela chegada dos Deuses (Seres humanos) que irão lhes conceder uma vida divina e cheia de mimos. Só que Frank, a salsicha, descobre a verdade por trás da sua existência, o que se revela algo nada animador, e a partir dai corre contra o tempo para avisar os amigos e fazer com que eles acreditem no futuro assustador que está por vir. Seth Rogen, Jonah Hill, Danny McBride,Craig Robinson e Paul Rudd estão de volta em mais uma daquelas comédias non-sense -ninguém me tira da cabeça que somente na base de muita erva pra esses caras conceberem uma ideia dessas, agora emprestando suas vozes aos personagens. Depois da comédia apocalíptica É o Fim (2013), a aposta da vez vem com na forma de animação, que tenta sobreviver com bons momentos, mas que na maioria deles soa como piada interna.

Sabe quando você marca de encontrar seus amigos pra falar besteiras? E de repente alguém surge com uma daquelas ideias escrotas que só são sustentadas por mais baboseiras? A partir de agora, esse tipo de reunião pode ser chamada de Festa da Salsicha. A piada interna dos caras bem que tenta encontrar argumentos para construir a narrativa, mas todo esforço fica pelo meio do caminho de tanto exagero e vontade de fazer com que cada situação de cunho cômico venha por meio de uma alusão a pornografia, dando um significado ainda mais literal para o ‘Porn Food’. Por mais que os elementos técnicos joguem a favor, como podemos ver na concepção dos alimentos de acordo com a origem de cada um e a paleta de cores que varia entre o bem colorido quando os alimentos são o foco (demonstrando a felicidade e esperança delas com relação ao futuro) e o tom apagado no núcleo dos humanos (revelando a rotina sem graça dos mesmos e ao também uma certa hostilidade no universo deles), a intenção do roteiro é superficial.

Dirigido por Greg Tiernan e Conrad Vernon (Monstros vs Alienígenas, 2009), Festa da Salsichaoferece aos seus convidados cenas cômicas, utilizando-se de um humor atípico no cinema para chamar atenção para algo fora da caixinha. Além do humor negro e das onipresentes menções relacionadas a sexo, os idealizadores encontram ainda uma brecha para brincar de maneira inteligente com a religião. Facilmente aplicada ao mundo real, afinal, assim como os alimentos, a maioria de nós também espera incansavelmente por uma justiça divina, e ai daquele que tentar questionar a nossa crença, o artifício consegue um resultado muito positivo. O problema é que o roteiro assinado por Seth Rogen e Evan Goldberg limita-se a querer fazer piada com tudo e esquece-se de criar uma história coerente. Refém dos diálogos recheados de palavrões, da interação entre os personagens e suas segundas intenções e apostando alto no carisma deles, aFesta da Salsicha é aquele rolê que qualquer ressaca se encarrega de apagar.
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