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O legado olímpico para o turismo brasileiro

Por Ricardo Seripierro

Aproveitando o momento olímpico pelo qual o país passa, quero trazer algumas perguntas válidas… momento para refletirmos e pensarmos a respeito do turismo brasileiro… e o legado que será deixado para o país após as Olimpíadas.

Foto: Divulgação

Primeiramente quero deixar bem claro que meu texto não tem nenhuma intenção política, de criticar os jogos, a Copa, ou o que quer que seja… minha intenção é exclusivamente pensar o que o país faz com seu turismo… ou melhor, o que não faz…

E por que escrever a respeito disso agora? Por que não aproveitar os jogos e deixar toda essa paradinha de lado? Porque cansei do papinho de legado… melhorias e benefícios para a população e que os jogos servirão como um chamariz de turistas de todos os cantos da galáxia.

Sempre me indignei com a posição do Brasil no “mercado” do turismo… somente em 2014 o país alcançou o número de 6 milhões de visitantes… isso devido à Copa, e nos 49 minutos do segundo tempo… antes disso, o país “segurou” o número de 5 milhões de visitantes por muuuuuitos anos… em 2015, mesmo com o “legado” da Copa, o número de estrangeiros visitando o país alcançou somente os 6,4 milhões.

Para se ter uma ideia, a Argentina, em 2015, recebeu 5,7 milhões de visitantes, em 2014 batera seu recorde com 5,9 milhões de habitantes… somente 100 mil a menos que o Brasil, e sem a Copa… e convenhamos, apesar de adorar o clima do nosso país hermano, o que eles têm que nós não temos? Em tempo, e para efeito de comparação, Nova York, nos EUA, recebeu em 2015, 58,3 milhões de habitantes… somente Nova York!!!!!!… e o campeão é a França, com 84,5 milhões de visitantes no ano passado, sendo que grande parte disso só visita Paris…

Ok, aí a comparação ficou injusta… mas vamos lá… o que o Brasil tem de menos? Segurança, preços, infraestrutura, incentivos ao turismo, e por aí vai… se o país não cuida dos seus, como cuidar de seus visitantes, não é mesmo? Mas como países com problemas parecidos, ou até piores, conseguem atrair turistas? A Índia, por exemplo, vende a exoticidade da sua beleza independente da sua efetiva pobreza… a própria Argentina, é muito parecida com o Brasil, mas leva uma pequena vantagem na hora de “se vender” para os turistas… Uruguai… Cuba… Vietnã… Peru… só pra citar alguns… países que atraem muitos turistas mas que não são os lugares mais fantásticos para se morar.

Bom, o ponto principal é que turistar pelo Brasil pode custar muito, muito, muito, mas muito caro… agora mesmo ouço uma reportagem pelo rádio contando que a redução do valor do dólar permitiu que uma família (pai, mãe e filho) que viajariam em dezembro para Gramado, pudesse alterar os planos para viajar para Orlando economizando R$1.600,00. Por que viajar pelo Brasil pode custar tão caro??

Não, a infraestrutura daqui não é melhor e por isso deve ser mais cara… na verdade, em alguns dos principais points turísticos do Brasil, como o Rio de Janeiro, por exemplo, você consegue hospedagem de todas as categorias e preços, restaurantes de todas as categorias e preços, lojas de todas as categorias e preços, e por aí vai… mas parece que os empresários do ramo querem ficar milionários às custas de poucos clientes, ou seja, melhor garantir o meu do mês com dois ou três, a ter preços que permitam que minha casa esteja cheia durante o mês inteiro. O mesmo se aplica a valores de passeios e serviços em geral… um receptivo no mesmo Rio de Janeiro, que é aquele transporte do aeroporto ao hotel, ou vice versa, pode custar até R$200,00, dependendo da agência que você fechar. Se você chegar por lá e chamar um táxi, provavelmente pagará menos…

Fato é que viajar costuma ser visto como um dos bens mais supérfluos que pode existir na vida de uma pessoa. Acontece que em outros países isso não é um fato. E algumas pessoas já começam a ver as viagens como algo não tão supérfluo aqui pela Terra Brasilis (o que inclui este que vos escreve). Se não está na lista de prioridades, então o certo é cobrar muito caro por esses serviços?

Mas ok, viver no Brasil é ter que pagar impostos e serviços caros… todos já deveriam ter aprendido isso….. meu ponto principal é que, vira e mexe, você vê na TV aí da sua casa algum comercial te convidando para visitar o Peru… ou visitar a Colômbia… ou visitar o Texas… ou visitar o Emirados Árabes… mas você não é “convidado” a conhecer os Lençóis Maranhenses… nem a Serra Gaúcha… o Morro de São Paulo… ou até mesmo o próprio Rio de Janeiro… eu trocaria um quarto dos comerciais chatos e repetitivos da Trivago que entopem a programação da nossa TV para ver comerciais bem produzidos que convidassem a conhecer os confins do Amazonas.

Exagero meu? Vamos lá… confesse… qual o incentivo que você tem para viajar pelo seu próprio país? Se a iniciativa não é sua, nada feito… e nas agências de viagens, tirando as fotos de alguns destinos mais comuns de duas ou três praias brasileiras que provavelmente estarão espalhadas pelo ambiente, muito provavelmente você verá muitas fotos da França, da Disney, de Buenos Aires, de Cancún, e por aí afora.

E o que tudo isso tem a ver com os Jogos Olímpicos? Engana-se aquele que imagina que uma Olimpíada serve apenas para se ganhar medalhas e apresentar atletas saradões… bom, para quem se oferece para ser a sede dos jogos isso vai muito além dessa proposta. O conceito geral é o de “se exibir” e mostrar para seus visitantes que você tem um destino propício para receber bem (claro, isso e gerar empregos, gerar renda, atrair investidores, e ganhar dinheiro… acho que já disse isso, não? rsrsrs…). Essa é a ideia do legado… deixar  infraestrutura adequada não somente para seus usuários moradores, mas para seus eventuais visitantes.

E o Rio de Janeiro precisaria disso? Meu… de verdade… o Rio de Janeiro deveria estar no top 5 de lugares a se conhecer de qualquer mortal ou alienígena de qualquer partezinha da Via Láctea… e o mesmo serve para o restante do Brasil. Existe natureza, história, gastronomia, clima, arquitetura, amor, aconchego, qualidade, paisagens deslumbrantes, destinos espetaculares, sensações diversas, experiências fantásticas, lembranças eternas…

Mas alguém que me lê nesse instante gritará: ahhh… mas aqui não tem segurança… não tem saúde… é tudo muito caro… ok, ok, ok!!! Mas você pode ter sua carteira roubada em plena Champs-Élisées, em Paris, ou até mesmo na meiuca da Times Square, em Nova York… você nunca ouviu falar de gente que perdeu todas as suas compras quando deixou o carro estacionado numa rua qualquer de Orlando ou Miami? Quanto à saúde, existem seguros viagem de altíssimo nível e que garantiriam o melhor atendimento onde quer que você esteja no país… preços altos? bom, isso dependerá do seu plano de viagem e sua programação. Se é possível viajar para os EUA e economizar, para a Europa e economizar, por que isso não aconteceria por aqui?

Não quero generalizar… mas existem problemas e situações de risco em qualquer lugar do planeta… mas se você se programar, pesquisar, e se informar adequadamente, poderá evitar muitos desses perrengues… e por que não fazer isso para conhecer aquela praia bacanuda de Santa Catarina? Ou aquela seleção de museus em São Paulo?

Quanto ao legado, é claro que eu torço para que tudo dê certo nas Olimpíadas. Tudo isso ligado ao turismo vai muito além dos Jogos Olímpicos. Obviamente tudo isso depende de autoridades e empresários mais preocupados com o crescimento do mercado turístico brasileiro. Em tempo, o Ministro de Turismo da Índia explicou em entrevista no início deste ano, que “o turismo indiano, diferentemente do brasileiro, não depende da própria população para ser um grande negócio, mas é surpreendente ver como o turismo do Brasil se move só com a força da sua classe média viajante”.

Como é possível depender somente de parcela da sua população? Ainda mais em um ambiente de crise pelo qual passamos, isso é uma tremenda bobagem. É necessário, sim, ter uma campanha internacional e também nacional para atrair mais pessoas para conhecerem o país. Apresentar as belezas, o exótico, o único, o imperdível, tudo…………

Além disso, investir no desenvolvimento da hospitalidade, da hotelaria, do turismo, de serviços, e tentar aproximar os preços ligados ao turismo à realidade dos viajantes (entendo os hotéis classe AAA, mas aquela hospedaria no pé da ponte no centro da cidade não pode cobrar o mesmo que um resort…

Enfim, essas são algumas considerações a respeito do turismo no Brasil… no desejo que os Jogos Olímpicos não sirvam apenas para a necessidade de momento de enriquecer alguém… de gerar lucros imediatos e soluções temporárias para problemas sérios da cidade… e você, o que pensa a respeito do legado Olímpico? Quais suas sugestões para melhorar o turismo no país? Compartilhe conosco e com nossos demais leitores. Quem sabe da nossa conversa surja uma forte e eficiente luz?!?!
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