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Documentário: Cobra Gypsies!

Por colaboradora: Monise Rigamonti

A partir de agora convido a todos a se deslocarem para o Rajastão – deserto localizado no norte da Índia, a visitarem a tribo cigana nômade chamada Kalbelia que significa “amigo da cobra” (Kal em indiano significa cobra e belia amigo).


O documentário COBRA GYPSIES, realizado pelo francês Rafael Treza – músico, cinegrafista e fotógrafo retrata com muita audácia e beleza a vida dos ciganos no deserto. 

Chegando ao deserto do Rajastão guiado por um membro da sua tribo, a partir de então relata atividades cotidianas da tribo como por exemplo a fabricação de carvão, a dança que sempre se faz presente tanto entre os mais velhos quanto os mais jovens e é ensinada de geração em geração, a captura das cobras e dos lagartos no deserto, a relação que eles estabelecem com os animais e o ambiente a sua volta, a participação deles em alguns festivais de dança e também acompanha um ritual de cerimônia de casamento, além de conhecer a primeira geração dos ciganos a frequentarem a escola. 

A Kalbelia é uma dança realizada tanto por homens quanto por mulheres, na tradição da tribo os casais são prometidos aos 5 anos de idade e se casam na adolescência, há todo um ritual para o casamento de ambas as partes, e ele acontece com muita música e dança.

As mulheres são as dançarinas mais conhecidas desta dança, elas usam uma túnica preta para protegerem seus corpos do sol excessivo do deserto e para imitarem as cores da cobra na roupa, os Kalbelias são conhecidos pelo seu jeito peculiar de se vestirem, confeccionando eles próprios as suas roupas ou pedindo para pessoas de confiança estilizarem suas peças que geralmente são feitas sobre medidas, a maquiagem muitas vezes serve também como proteção para os olhos. Podemos observar que tanto a roupa quanto as maquiagens e os acessórios (brincos, colares, pulseiras) são construção da identidade (visual) deste povo.

Os movimentos da dança são enfatizados pelos movimentos das mãos que são sutis ao tentar representar os movimentos que as cobras fazem ao serem capturadas e terem seu veneno extraído, já os movimentos dos pés representam a caça e a fuga das cobras no deserto, os rastros que as mesmas deixam na areia e esse encontro que ocorre entre os homens e as cobras. Os dançarinos desde pequenos estão acostumados a lidarem com as cobras durante a dança.  

Lembramos que os venenos das cobras depois de serem capturados são vendidos e transformados pela medicina ayurvédica em colírio (remédio) para os olhos. Muitas vezes as peles de cobra e de lagarto são comercializadas como fonte de renda, além da dança e da agricultura que são as principais fontes de renda para a tribo. 

Muitos dos turistas vão até a Índia em busca de aprimorarem as suas técnicas na dança kalbelia, lecionadas pelas próprias ciganas, é comum que os dançarinos façam shows em hotéis e participem de festivais como o Holi e o festival da Kalbelia que acontece uma vez por ano, onde os ciganos e outros povos do deserto são reunidos para comemorar e celebrar seus rituais.


Através do documentário acompanhamos um pouco da rotina dos Kalbelias e sua influência na arte e na musicalidade dos povos ciganos, que teriam migrado acerca de 1000 anos atrás da Índia migrando para outras regiões e países. 

A beleza dos Kalbelias está nas cores, no jeito de se vestir, nos instrumentos que eles usam, nos seus costumes peculiares, na maneira como eles se relacionam com os animais e a natureza. O documentário é um olhar estrangeiro para esta cultura que nos transporta para uma nova forma de olhar e apreciar o mundo.


COBRA GYPSIES – Documentário
Duração:  52’32” 
Diretor: Raphael Treza
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