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Resenha: A Garota Desconhecida

Por colaboradora: Luci Cara

Estreia dia 09 de fevereiro nos cinemas brasileiros o filme franco-belga "A Garota Desconhecida". Esse filme participou do festival de Cannes, mas não teve uma boa acolhida do público, que vaiou os diretores, os irmãos Dardenne, após a apresentação. Isso porque eles já ganharam lá a Palma de Ouro, e fizeram filmes mais memoráveis. Ou porque esperavam um filme com mais "ação", ou um final surpreendente.


Foto: Divulgação

O filme tem seu próprio ritmo, e se assemelha muito à realidade. É como se participássemos do cotidiano um pouco monótono da médica Jenny, representada pela atriz Adèle Haenel. Ela substitui um médico clínico geral em seu consultório, e faz também visitas domiciliares. Somos levados a participar de sua vida bastante previsível, com nenhuma vida social, nenhum contato com outros seres humanos que não participem da rotina, sem nem uns copos de vinho para dar uma "remexidinha". Até sua roupa é sempre igual, só muda a cor das camisas que usa. Come mal, dorme no consultório, e trata seus pacientes com cuidado, mas sem emoção. Até que a campainha do consultório toca, uma hora depois de encerrado o expediente. O seu estagiário quer atender, mas ela não deixa. Faz um pequeno sermão dizendo que ele não pode se envolver emocionalmente com seus pacientes para não prejudicar o seu trabalho. Ele se revolta e abandona o consultório, ao mesmo tempo que surge a verdade sobre a campainha que eles não atenderam. Uma menina estava passando pela rua e viu a luz acesa. Estava pedindo por socorro. Foi assassinada naquela noite! 

A médica passa o filme inteiro tentando se redimir da culpa por não ter ajudado, fazendo uma investigação própria do que aconteceu, sem pedir ajuda à polícia, e sem comunicar os investigadores daquilo que vai descobrindo.


Foto: Divulgação

A Garota Desconhecida tem enredo, tem atores, tem desenrolar da trama. Desperta nossa curiosidade. Mas não tem ritmo, pulsação, vibração. 

Toca em feridas abertas na Europa pela presença de imigrantes, nem sempre legais ou trabalhando regularmente, mas não vai a fundo nessa questão, ou em outras. Franceses são frios, sim, mas esperam encontrar na Literatura, nas Artes, no Cinema, mais pimenta do que têm em suas vidas. Uma música vibrante, um romance picante, alguns amigos numa balada, alguma coisa falta na vida da personagem, e no filme. Ainda assim, vale a pena assistir, pela atuação da atriz principal, e para entender como a menina assassinada vai ganhando um rosto, um nome, uma estória.
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