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Resenha: Florbela – O Filme

Por colaboradora: Monise Rigamonti

Baseado em uma minissérie portuguesa de 3 capítulos chamada “Perdidamente Florbela”, o filme conta um recorte da vida da poetisa portuguesa Florbela Espanca (Dalila Carmo).

Foto: Divulgação

Nascida em 8 de dezembro de 1894 em Portugal, é filha de mãe solteira, quando completa poucos anos de vida é tirada dos braços da mãe e levada para uma nova família, onde tem a oportunidade de estudar e se desenvolver na escrita. Durante a sua infância tinha uma relação muito próxima com seu irmão Apeles (Ivo Canelas), no qual manteve uma grande e intensa amizade durante toda a sua vida, beirando um amor fraternal. 

Notamos que no filme é contada a última parte de sua vida. Começamos com uma violenta separação – tanto no sentido moral quanto físico, do seu segundo marido, provocando uma não aceitação de seu pai e irmão. Acontece seu terceiro casamento com Mário Lage (Albano Jerônimo) e parte para uma cidade mais tranquila, onde passa a viver uma típica vida doméstica do qual seu processo criativo é completamente corrompido.

Foto: Divulgação

Para quebrar com a rotina, Florbela recebe uma carta do seu querido irmão Apeles pedindo desculpas e que ela fosse encontra-lo em Lisboa, onde retoma a sua vida social, vive novas experiências e acompanha as revoluções sociais da época. Porém seu marido vai atrás da sua presença e acontecem alguns conflitos na história, como um aborto espontâneo e a morte do seu irmão.

Com a morte do seu irmão, ela entra em um estado existencial de completa dor e loucura, chega até a ser internada por seu marido. Decide enfrentar esse luto e volta para a cidade onde nasceu e cresceu, buscando reencontrar a si mesma, e a lidar com os fantasmas do passado, que para a sua alma inquieta não obteve todas as respostas que procurava da vida.

Foto: Divulgação

Volta para a casa do seu marido procurando por abrigo e segurança, mas nunca se acostumara com a tranquilidade e com o barulho do mar. Justamente nessa fase, que em memória e em busca por recuperar o seu irmão de volta para si que acontece uma eclosão no seu processo artístico e ela volta a escrever ardentemente, retomando a grande e famosa poetisa que um dia havia se tornado. Grande parte das obras deste período são publicadas em memórias póstumas.

Espera-se mais do filme, os atores fazem uma ótima atuação, mas para quem conhece um pouco do trabalho da autora fica um vácuo, uma sensação de vazio, pois sua escrita é muito intensa e nos toca profundamente. Quem não conhece sua obra literária pode transmitir a sensação de ela ter tido alguma relação com seu irmão, o que não é verdade, havia entre eles apenas uma grande e intensa amizade. O enredo pode ser interpretado de forma dúbia, deixando lacunas que não são preenchidas.

Foto: Divulgação

De uma maneira geral foca-se mais no estilo de vida da personagem, e na representação desta personagem e desta mulher que fora a apaixonada e a apaixonante Florbela Espanca do que na sua produção literária. Sendo que para entender quem foi essa grande escritora em um sentido mais amplo é necessário se debruçar e apreciar a melodia de sua obra, permitindo a se tocar e a se emocionar com as palavras escritas e ditas por ela. Para quem conhece pelo menos uma parte da sua produção certamente se questionará sobre as escolhas das abordagens sobre a sua vida, e provavelmente sentirá a falta de uma maior evidência de sua obra, fica uma sensação de: é só isso? Sendo que Florbela pede mais, muito mais....

Ficha Técnica 
Título: Florbela 
Ano de lançamento: Portugal – 2012; Brasil – 2014
Direção: Vicente Alves do Ó
Duração: 119 minutos
Elenco: Dalila Carmo, Albano Jerónimo, Ivo Canelas e outros 
Gênero: Drama; biografia 
Nacionalidade: Portugal 
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