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Resenha: Uma Vida Boa

Por colaboradora: Nicole Gomez

O espetáculo Uma Vida Boa, com direção de Diogo Liberano e texto, impecávelmente escrito por Rafael Primot é, como algumas pessoas disseram na saída, "um soco no estômago", uma lição de tolerância, retratada de forma fiel de como determinadas pessoas não conseguem se adequar à sociedade, simplesmente por não se sentirem "padrão".

Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Antes de tudo, é preciso entender que os nomes das personagens são propositalmente ocultados, o que cria a noção de que aquelas três pessoas são muitas outras, que passam pela mesma situação todos os dias.

B. é uma pessoa como várias que estão por aí dentro da sociedade, muitas vezes até mesmo escondidas, principalmente pelo medo de julgamento e lições de como deve seguir seu caminho. Deixa de viver com os pais assim que descobre que não atendeu às expectativas de sua mãe, que esperava criar uma "princesa". B. tem outra forma de viver sua vida, assim, vai morar em outro lugar, em busca de sua liberdade.

Durante este processo, conhece J., uma figura machista e com uma forma meio torta de viver sua vida. J. apresenta B. a L., uma garota comum que curte sair, ama cantar e se apresentar em barzinhos. Os dois acabam vivendo uma linda história, que apesar de todos os preconceitos, ensina que o amor é capaz de combater toda a maldade que existe no mundo.

Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Com muita delicadeza e sutileza, a obra dá ao espectador uma ideia de como é viver em um mundo onde não se é aceito como é, mostrando até mesmo algumas situações onde a personagem central sofre certos tipos de violência, verbal e física, mas de uma forma onde tudo se dá a entender, com movimentos corporais por parte dos atores de uma forma até mesmo coreografada.

A atriz Amanda Mirásci foi uma ótima surpresa. De forma até mesmo visceral, encarna B., e consegue passar as dores, as alegrias e os sofrimentos da personagem, fazendo com que o espectador se envolva e se sinta um pouco na pele da personagem. Está fazendo um trabalho incrível. Julianne Trevisol, que encarna L., retrata como uma pessoa se apaixona por outra independente do que saiba sobre ela, simplesmente acontece e permanece. Daniel Chagas, intérprete de J., uma figura bruta que também não é muito diferente do que frequentemente vemos por aí, mostra de uma forma muitas vezes incômoda, exatamente por ser tão real, até onde a intolerância pode ir.

Os três formam um envolvente time. É um espetáculo para quem está disposto a rever conceitos e quebrar tabus construídos por muitos e muitos anos.

Foto: Renato Mangolin/Divulgação

Serviço
Onde: Teatro Eva Herz - Livraria Cultura - Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista, São Paulo - SP, 01311-940
Quando: de 06 de abril a 26 de maio de 2017 
Ingressos: 
(11) 3170-4059 ou pelo site: http://bit.ly/umavidaboaSP
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