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CONFISSÃO! Após 15 anos de espera, fã relata experiência no Chá Rouge

Por Erlanio Lima

Acompanhei o reality “Popstars” desde o primeiro episódio em 2002, torci por algumas meninas até chegar à tão incrível formação do grupo Rouge: Aline, Patrícia, Luciana, Fantine e Karin formaram o quinteto que marcou a história da música pop nacional nos anos 2000. “Ragatanga” foi um dos maiores hits que estourou no Brasil a fora e se tornou uma música atemporal, o primeiro disco de capa rosa com glitter, as coreografias; hits com um teor mais infanto-juvenil fazia a cabeça da população mais jovem brasileira, inclusive a minha.

Foto: Carol Caminha

Naquela época não era bem visto um rapaz gostar de um grupo totalmente feminino, os olhares tortos na hora do recreio, enquanto eu dançava até cansar com as meninas o refrão chiclete de “Ragatanga” ou “Não dá pra Resistir”. Não me importei com os comentários dos outros meninos e com isso, elas se tornaram as primeiras artistas da minha vida na qual soube o sentido de ser fã. Comprei os discos, álbum de figurinhas, revistas, pôsteres, assistia aos programas em que elas aparecessem, elas se tornaram literalmente a minha febre da infância. 

Mesmo após a saída de Luciana Andrade, eu continuei a acompanhar o grupo até chegar ao tão temido fim, foi triste e pesaroso, mas a partir dali eu aprendia que tudo na vida tem começo, meio e fim. Fim? Por anos em meu interior eu torcia por um retorno triunfal do grupo, já que por poucas condições na época não pude ir a nenhum show, então existia um misto de desejo, sonho e esperança.

Anos se passaram, até que em 2013, é anunciado o retorno do grupo pelo extinto programa “Fábrica de Estrelas”, com o lançamento de dois singles inéditos e uma possível turnê nacional, porém, a formação seria com apenas 4 garotas: Aline, Patrícia, Karin e Fantine. Luciana não aceitou retornar com as meninas, teve seus motivos, porém, seguimos o baile. Após o lançamento de “Tudo é Rouge” e “Tudo Outra Vez”, o grupo novamente se desfaz e cada uma continuou seguindo as suas vidas e com suas carreiras.

No começo de 2017, os rumores sobre o retorno de uma das maiores girlbands do Brasil se tornaram mais fortes, até que a festa “Chá da Alice” começa a fazer suspense em suas redes sociais e finalmente revela que o grupo voltaria para apresentações únicas no Rio de Janeiro e São Paulo, o intitulado: Chá Rouge! 

Por questões de gastos com o Rock In Rio (Oi, Lady Gaga?), não consegui me programar para os shows dos dias 13 e 14 de outubro no Vivo Rio, preferi me preparar para o show em São Paulo. Depois de sofrer por quase uma hora no site das vendas dos ingressos, finalmente consegui o tão sonhado ingresso para um dos maiores shows da minha vida, marcado para o dia 25 de novembro, a apresentação aconteceria exatamente na madrugada do dia 26 de novembro que é o dia do meu ANIVERSÁRIO, quer presente melhor do que esse? Eu não poderia esperar nada melhor do que isso, o jeito era aguardar a tão sonhada noite e viver a festa dos meus sonhos que não participei em 2003 no estádio do Pacaembu.

Foto: Carol Caminha

Finalmente chega o dia 25 de novembro, combino com meu amigo de irmos para a fila à tarde, chegamos exatamente às 14h40m, um sol escaldante e horas á fio até a abertura dos portões (programado para as 23h). Alimentei-me, me hidratei, interagi com outros fãs, encontrei outros amigos, enfim, tudo estava sendo perfeito até ali e seguia tudo conforme o figurino para que meu corpo aguentasse as horas em pé e o empurra-empurra que seria na hora do show.

Ao entrar na Expo Barra Funda, corremos para conseguir um lugar mais próximo possível da grade, a Dj Giordana residente da festa Chá da Alice, já comandava as pick-ups e tocava de tudo um pouco para aguentarmos até o horário do show (previsto para às 2h da manhã). Mas infelizmente um fato triste acontece, no momento em que algumas pessoas não satisfeitas com a demora começam a vaiar a Dj, sendo que ela não tinha controle algum sobre o horário do show, a não ser nos entreter e cumprir seu papel na qual foi contratada. Passada as horas chega o tão esperado momento, as luzes se apagam e as cortinas se abrem, neste instante o meu sonho começava a se tornar um pesadelo.

Mesmo estando na Pista Premium não conseguia enxergar nada (1,60m disse: Oi), braços erguidos com seus celulares, o calor aumenta com a pressão dos corpos prensados uns contra os outros por conta do empurra-empurra para se aproximarem o máximo que puderem da grade, das meninas e, assim começa: “Vem dançar com a gente, com a gente, agora, solte o corpo be a star, vem cantar com a gente, com a gente, agora, vem ser uma Popstar...”. O que eu me lembro dessa música é o que tenho gravado em vídeo no celular, aliás, o que consegui gravar, eram tantos braços erguidos ao mesmo tempo junto com a minha baixa estatura não permitiram uma boa gravação daquele momento.

As músicas foram rolando e as meninas fazendo um belíssimo show, com tudo o que se tinha direito, cenário, coreografias, corpo de baile, um camelo gigante para cantarem “Vem Habib”, tudo o que esperávamos e um pouco mais. Ao me aproximar mais da grade e finalmente conseguir uma boa visão, começo a sentir o ar mais denso e quente, começo a inspirar e expirar para cima tentando buscar ar, e eu não conseguia sentir oxigênio entrar nos meus pulmões, até que minha visão começa a embaçar, os olhos começaram a pesar e meu cérebro me alerta: Você vai desmaiar!

Estiquei o braço pedindo ajuda, o pessoal encostado à grade chama a atenção dos bombeiros, quando dei por mim, já estava sendo tirado da pista e pulando a grade sem nem fazer esforço, só sentia meu corpo pesado e alguém do meu lado me carregando arrastado até a enfermaria, ao chegar lá sinto o ar puro e frio, meus pulmões dão a sensação de voltar a funcionar, bebi água e fiquei alguns minutos sentado tentando me recuperar, eu só percebia que o tempo passava e estava ali perdendo tempo, eu tinha que voltar pra pista. Ao me levantar e ficar uns minutos em pé, a cabeça começa novamente a girar e o corpo pesar, eu não iria conseguir, tinha que descansar mais.

Foto: Carol Caminha

Na enfermaria conseguia ouvir cada música, até que começa “Nunca Deixe de Sonhar”, não aguentei e ali mesmo desabei a chorar, todo um filme se passando na minha cabeça, tudo o que enfrentei até ali tinha sido em vão, todos os meus planos para que a noite do meu aniversário fosse perfeita, foram arruinadas porque meu corpo não suportou. Só fui me recuperar totalmente no último bloco do show, porém, sem motivação alguma de querer assistir ao restante do show, procurei algum lugar arejado, sentei ali sozinho e continuei a chorar até ouvir as meninas se despedirem e a multidão se retirar da Expo para irem embora.

Eu poderia encontrar mil e um defeitos para culpar alguém ou alguma coisa, mas não é essa minha intenção, as meninas foram sensacionais, fizeram um show magnífico que todos os anos de espera valeram a pena para quem assistiu e aproveitou do começo ao fim. Mas também não posso ignorar os fatos de que o lugar não tinha ventilação que suportasse tantas pessoas, valores de bebidas absurdos (garrafa de água 300ml por R$8,00), a não fiscalização entre pista comum e premium, enfim, isso não importa, foi o meu corpo que não suportou, a minha frustração quem causou foi eu mesmo.

Eu amo esse grupo por toda a sua trajetória e o significado em especial que tem não só na minha vida, mas como na de muitos fãs que estiveram nesse show e ainda irão aos outros que estão por vir (amém turnê nacional), amo cada uma e suas particularidades. Então só quero agradecer por nos permitirem novamente sonhar esse sonho até então quase impossível, obrigado à equipe de bombeiros que foram altamente prestativos e atenciosos quanto a minha recuperação, aos meus amigos pela companhia, pelo pessoal que solicitou ajuda aos bombeiros e ao meu namorado pelo ingresso como presente. Novas oportunidades ainda estão por vir, e sei que irei realizar o sonho de ver esse show do início ao fim e ainda quem sabe dar um abraço em cada uma dessas meninas, pois como elas mesmas nos ensinaram: Nunca deixe de sonhar!
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