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Entrevista: A versatilidade de Fábio Nunes

Por Cristian Cesar

Com a atuação no sangue desde a adolescência, Fábio Nunes é multiuso. Ator, cantor e roteirista. Mas a paixão mesmo é a atuação, é atuando que ele transita entre todas as emoções que lhe cabe no peito.  


Foto: Arquivo Pessoal

Carioca da gema e com orgulho, já deu cores a canais no YouTube como o 'Parafernalha' e o 'Anões em Chamas'. Na televisão já participou de programas da Rede Globo e Record.  

Atualmente, ensina técnicas de atuação aos interessados pela arte de atuar com workshops e pretende voar longe na carreira; talento e vontade não lhe faltam. Batemos um papo com Fábio Nunes e o resultado você confere aqui.   

Acesso Cultural: Em seu vasto currículo, é visto que possui uma versatilidade muito grande e que transita entre a música, atuação, criação de roteiros e publicidade. Existe alguma função que seja considerada sua preferida?  

Fábio Nunes: Atuar é a minha função, é o meu ofício. Acabo fazendo trabalhos em outras áreas artísticas mais por uma inquietação, por querer explorar diferentes facetas. Me vejo como uma pessoa criadora e criativa, preciso colocar o que vem à minha mente para fora. Não gosto de ficar sempre com a mesma coisa, por isso, geralmente, estou fazendo mais de um trabalho ao mesmo tempo, fugindo de uma rotina. Mas a interpretação é, realmente, o que me move. 

AC: Para essas profissões que você exerce, existe alguma figura de inspiração?  

FN: Olha, difícil te dizer. Quando me fazem essa pergunta, sempre paro para pensar, nunca me vem uma resposta tão certa. Há, claro, pessoas que me inspiram, que vejo, que admiro, mas procuro me basear mais em ideias próprias, não em alguma coisa em cima do que já existe. O novo é algo que me atrai. Mas, só para não deixar a sua pergunta sem uma completa resposta (risos), na atuação - se eu for focar mais na comédia (que é onde se passa a maior parte de meus trabalhos) - gosto muito de quando a interpretação vem de uma forma séria, quando acreditam no que estão fazendo de verdade, sem a intenção de tirar um riso a qualquer custo. Acredito que a graça deva vir naturalmente, não ser procurada, até no mais louco nonsense. Eu olhava e percebia isso, quando era mais jovem, no falecido Leslie Nielsen (de clássicos do besteirol como "Corra que a Polícia Vem Aí") e no grupo inglês Monty Python. 

E como você falou "profissões", se eu for pegar pelo lado musical (que, na verdade, é mais um hobby), eu sou um homem do metal (risos), extremamente fã de Iron Maiden. Um bom rock'n'roll mexe comigo. Mas se for puxar para o lado cômico, artistas como Rogerio Skylab e Zéu Britto são pessoas que também admiro, que fazem o "tosco" levado a sério. 

AC: Como foi o tempo na Parafernalha? 

FN: Foi ótimo. Fiz o primeiro vídeo da Parafernalha, em 2011, onde atuava sozinho. Entrei lá a convite do Felipe Neto, que foi o criador do canal. Estávamos fazendo outro trabalho juntos e ele me perguntou se queria participar. Fiquei lá até o final de 2014. Fiz bons amigos na Para e tenho uma ótima relação com todos. Tanto que, a convite do Rafael Castro (atual diretor de conteúdo), voltei a fazer participações para o canal neste ano. 


Foto: Arquivo Pessoal

AC: Com relação a planos, tem alguma novidade sobre sua carreira? Vem algum projeto por aí? 

FN: Nada engatilhado que já não tenha começado. Esse ano coloquei em prática alguns projetos que estavam engavetados. Estreei meu espetáculo de improvisação teatral em formato longo, chamado "Sim, Senhores!", ao lado da atriz Sill Esteves; tenho gravado de pouco em pouco músicas autorais cômicas para pôr num canal de YouTube que uso mais para organizar materiais de trabalho... por aí vai. Em breve surgem mais ideias, para pôr a inquietude em prática. (risos) 

AC: Com tantos papéis feitos, qual te marcou mais? Qual é aquele que você considera seu outro eu? 

FN: Sinceramente, não penso em nenhum que tenha me marcado tanto. Meu outro eu, então, de jeito nenhum (risos). Mesmo sendo clichê, tenho um afeto especial por todos os trabalhos que fiz. Aprendemos e evoluímos com todas as experiências. Sempre "me empresto" para criar meus personagens, deixo que eles sejam outros que não eu, embora acabemos pegando referências do que é nosso, claro. Mas, assim, posso te dizer um pelo o qual tenho um carinho: Adalberto Ferrari, da websérie "Sobrevivendo à Maiorias das Coisas". Foi o meu primeiro trabalho para internet, em 2010, numa época em que era um território muito pouco explorado. Pude desenvolver esse trabalho para o Canal 'Anões em Chamas', criado pelo Ian SBF, com muita liberdade, já que nas locações tínhamos uma equipe mínima e contracenávamos apenas eu e o próprio Ian, que era um personagem em off, um cameraman, que fazia contraponto ao Adalberto. Era algo novo e foi muito divertido. 

AC:Tem algum filme que você considere o filme da sua vida?  

FN: Apenas um, não. Não tenho um filme favorito. Sou fã de histórias. Me conte uma boa história e você me prende. Mas posso te citar alguns que curto muito: "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", "Dia de Treinamento", diversos filmes do Woody Allen e do Quentin Tarantino, "Cidadão Kane", "Relatos Selvagens", filmes "bobos" de comédia como "Top Gang" e "Black Dynamite", "(500) Dias com Ela", "Closer"... nossa, tem tanta coisa! Esses foram alguns que fui tirando de cabeça para poder te dizer agora. Mas, com certeza, tem muitos mais. 

AC: Há pretensões de fazer o 'Sim, Senhores' rodar o Brasil?  

FN: Grandessíssimas pretensões! Até para outros países, se for possível! O "Sim, Senhores!" é algo muito inovador e desafiador para mim. É um espetáculo completamente improvisado, com duas histórias de aproximadamente meia hora cada por apresentação, onde estamos no palco apenas eu, Sill Esteves e um músico que cria nossa trilha sonora. Algo que facilita e torna o espetáculo mais forte é o fato da Sill e eu sermos muito amigos há anos, parceiros, nos damos bem dentro e fora do palco, então rola uma boa cumplicidade, uma boa química, uma boa confiança. Nossa intensão é realmente levar a peça para o maior número de cidades possível, durante anos e anos. 


Foto: Arquivo Pessoal

AC: Como é para você fazer um workshop ensinando atuação para os mais novos? Qual a sensação? 

FN: Na verdade, ministro um workshop de uma técnica diferenciada de improvisação teatral chamada Impro, criada pelo inglês Keith Johnstone, pouco conhecida aqui no Brasil. Não é necessariamente ensinar atuação às pessoas. E as aulas não são voltadas apenas para os mais novos. Qualquer pessoa, com qualquer idade, com qualquer experiência em atuação, pode, e deve, fazer aulas dessa técnica. Ela é essencial para quem quer trabalhar como ator/atriz, pois é a única que te dá uma noção do todo na hora da criação, do início, meio e fim de uma história, com você tendo controle do que é feito. Não digo isso apenas para puxar sardinha para o que ensino (risos). Sem contar que a técnica é voltada para não-atores também. É algo que muda a sua vida. Te deixa uma pessoa mais positiva, que aceita as coisas, que se adapta melhor a mudanças, mais perceptiva, que escuta melhor, mais generosa. Uma vez, ouvi uma atriz canadense, chamada Rebecca Northan, dizer que na improvisação agimos da mesma forma que nos portamos, espontaneamente e naturalmente, quando estamos completamente apaixonados por alguém: somos positivos, dizemos "sim", abraçamos os erros/falhas, inspiramos nossos parceiros. Acredito que seja por aí. A sensação é ótima, é uma grande troca, algo que nos faz muito bem. 

AC: E pra finalizar, deixe um recado para o pessoal que acompanha o Acesso Cultural. 

FN: Gostaria de agradecer pelo convite a essa entrevista, pelo interesse de saberem um pouquinho mais sobre mim e espero que nossos caminhos se cruzem um dia, pelos teatros e esquinas da vida (quem sabe?!), e vou estar sempre aberto para trocar uma boa ideia com vocês. Beijos a todos e todas! 

E com esse beijão do Fábio, que tal conhecer o trabalho dele? Há videos do ator pelo Youtube e outros canais, confere lá! E vale lembrar a galera do Rio de Janeiro que ele está em turnê com o espetáculo 'Sim, Senhores'.  

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