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Tempo Expandido: Videoinstalações de Chantal Akerman chegam ao Oi Futuro Flamengo

Mostra aproxima público brasileiro da estética singular da cineasta e de seu olhar sobre o universo feminino

Por Andréia Bueno

Consagrada internacionalmente, a cineasta Chantal Akerman (1950-2015) realizou mais de 40 filmes, alguns dos quais com lugar assegurado entre os clássicos de todos os tempos. Para celebrar seu legado, o Oi Futuro inaugura dia 26 de novembro a primeira exposição no Brasil sobre a obra da artista e sua inserção no universo das artes visuais. Dona de um olhar singular sobre o universo feminino e construtora de um ritmo que rompeu com vários dos cânones do cinema de seu tempo, Chantal ocupará, com quatro videoinstalações, três andares do centro cultural no Flamengo.

Foto:Divulgação

Chantal Akerman – Tempo Expandido é uma mostra inédita, que conta com a curadoria de Evangelina Seiler e tem sua montagem supervisionada por Claire Atherton, uma das colaboradoras mais próximas de Akerman. O objetivo é aproximar o público brasileiro da estética, do estilo e sobretudo da visão particular da artista sobre o universo feminino. Beto Amaral, da Cisma, idealizou a exposição em 2014, em parceria com a galeria Marian Goodman. Daniela Thomas e Felipe Tassara assinam a expografia da mostra.

– Além de ser uma das cineastas mais influentes e originais da história do cinema mundial, Chantal Akerman foi uma pioneira no olhar para o feminino, valorizando as questões de gênero durante toda a sua carreira e inovando não só na forma como também no conteúdo. O Oi Futuro se orgulha de fechar a programação 2018 de nossas galerias com esta exposição inédita, compartilhando com o público a experiência de vivenciar intensamente a obra dessa grande artista, que ainda se faz incrivelmente atual – diz Roberto Guimarães, Gerente Executivo de Cultura do Oi Futuro.

A mostra

As experiências de Chantal Akerman no terreno das videoinstalações a levaram a participar de algumas das mostras mais importantes do mundo, como a Documenta de Kassel (2000) e a Bienal de Veneza (2001 e 2015), entre outras, sempre com grande sucesso. Suas obras nessa área foram desenvolvidas com base em alguns de seus próprios filmes – aos quais acrescentou material de novas filmagens que realizou. 

O Oi Futuro receberá quatro videoinstalações da cineasta: In the Mirror (1971-2007) exibe uma cena de um dos primeiros filmes da cineasta (L’Enfant Aimé ou Je joue à être une femme mariée, 16mm, de 1971), na qual uma jovem nua, em frente a um espelho, examina o próprio corpo detalhe por detalhe.

La Chambre (2012) foi criada a partir de imagens do filme homônimo de 16mm, lançado em 1972. No artigo “Chantal Akerman: autorretrato da cineasta”, de 2004, a revista Cahiers du Cinéma, editada pelo Centre Pompidou, resume assim o filme: “Uma longa e lenta panorâmica descreve repetitiva e continuamente o espaço de um quarto. No leito, Chantal Akerman – primeiro sentada e imóvel e, quando a câmera retorna, comendo uma maçã. Trata-se tanto de um autorretrato misterioso da cineasta em seu lugar previsível, quanto o equivalente, para o seu cinema, a uma natureza morta: reunir seus motivos pessoais em uma descrição repetitiva para melhor descartá-los em seguida.” Maniac Summer (2009) é composto por imagens e sons gravados em Paris, no verão de 2009. 

Foto: Divulgação

É um tríptico abrangente, sem começo nem fim, sem um assunto ou tema específico. A câmera é posicionada na frente de uma janela e fica ali rodando. Observa movimentos, registra ruídos que vêm da rua ou do parque próximo, capta Chantal Akerman em suas rotinas normais no apartamento: fumando, trabalhando, falando ao telefone. Fragmentos da vida cotidiana da artista são apresentados no vídeo central da instalação, enquanto os painéis auxiliares mostram um material mais simbólico, composto de imagens do vídeo principal que foram isoladas, modificadas e repetidas várias vezes. Essas pós-imagens abstratas constituem uma espécie de lembrança, que remete às imagens do elemento central da instalação, assim como tantas sombras da sua realidade.

A quarta obra será Tombée de Nuit sur Shanghai (2009), com projeções de imagens do episódio homônimo dirigido por Chantal Akerman para o filme O Estado do Mundo, que reuniu seis diretores de vários países e foi produzido em comemoração aos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, de Portugal.

É uma instalação single channel, que evoca a arte da direção e da observação. As imagens estáticas características do estilo de Akerman captam o porto, os barcos que cruzam o rio, as pessoas que passam, o horizonte da megalópole, os gigantescos anúncios iluminados e o cair da noite em tempo real. Tombée de nuit sur Shanghai tem pouco ou nenhum enredo, mas uma poderosa atmosfera que lhe faz as vezes. Sua representação do ambiente urbano está ancorada na relação dialética entre o olhar estático do observador e os vários movimentos dos sujeitos desse olhar. O burburinho natural de um hotel-restaurante serve de trilha sonora para esse devaneio visual sem um sentido aparente.



Serviço

Chantal Akerman – Tempo Expandido

Abertura: 26 de novembro às 19h

Visitação: 27 de novembro 2018 a 27 de janeiro 2019


Oi Futuro 

Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo

Níveis 2, 4, 5 e vitrais

Terça a domingo, das 11h às 20h

Entrada Franca 

Classificação etária: livre
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